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Custos para comprar um imóvel em São Paulo: ITBI, escritura e registro

O preço do apartamento não é o valor completo da compra. Além da entrada, organize impostos, documentação, despesas do financiamento e dinheiro para a mudança. Este guia separa os itens para você pedir orçamentos sem contar a mesma despesa duas vezes.

Por Alvaro Amaro dos Santos · Referências consultadas em 30/10/2026. As regras de ITBI abaixo são do município de São Paulo; outras cidades têm legislação própria.

ITBI em São Paulo: a regra geral e as exceções

Na orientação municipal vigente para 2026, a alíquota geral é de 3%. Para operações enquadradas em SFH, PAR, HIS ou consórcio, com imóvel de até R$ 725.808,00, há cálculo diferenciado: 0,5% sobre a parcela efetivamente financiada ou de crédito utilizado, limitada a R$ 120.968,00, e 3% sobre o restante da base. SFI e Carteira Hipotecária seguem a regra de 3% nessa orientação. Confirme o enquadramento e a data do contrato; existem hipóteses específicas de isenção.

Exemplo didático: base de R$ 300.000,00, sem benefício, resulta em R$ 9.000,00. Se a operação cumprir os requisitos da redução e tiver R$ 240.000,00 financiados: R$ 120.968,00 × 0,5% + R$ 179.032,00 × 3% = R$ 5.975,80. Esse exemplo não é uma guia de recolhimento nem confirma benefício individual.

Consulte o cálculo e os limites publicados pela Prefeitura de São Paulo.

Qual valor usar como base?

A página municipal menciona comparação com valor de referência. É importante conhecer também o Tema 1.113 do STJ: o valor declarado da transação tem presunção de compatibilidade com o mercado, afastável por procedimento administrativo próprio; o município não pode impor previamente um valor de referência unilateral. Se a cobrança divergir do negócio declarado, peça esclarecimento formal e orientação jurídica, sem simplesmente alterar a guia ou deixar de pagar por conta própria.

Entenda o precedente divulgado pelo STJ.

Escritura e registro: peça valores separados

A escritura formaliza o negócio quando esse instrumento é necessário. O registro tem função diferente, ligada à situação jurídica do imóvel. Em operações previstas em lei, o contrato de financiamento pode ter efeito de escritura pública; por isso, não some automaticamente uma escritura separada a toda compra financiada. Veja a diferença entre escritura e registro.

Os emolumentos seguem tabelas e o enquadramento do ato. Não existe uma porcentagem única de “cartório” que resolva todos os casos. Solicite orçamento discriminado ao tabelionato e ao Registro de Imóveis competente, incluindo certidões, registros de garantias e eventuais averbações. Confira o ano de vigência da tabela e a composição do total.

O artigo 290 da Lei de Registros Públicos prevê redução de 50% nos emolumentos dos atos relacionados à primeira aquisição imobiliária residencial financiada pelo SFH. Isso não significa desconto de 50% em toda despesa da compra nem isenção automática de ITBI. Informe a situação ao cartório e confira os documentos exigidos e os atos alcançados.

O que pedir ao banco e aos demais prestadores

  • Financiamento: peça a relação de tarifas, avaliação do imóvel, seguros, prestações e Custo Efetivo Total. Identifique o que é pago antes da contratação e o que entra nas parcelas.
  • Documentação: registre quem providencia cada certidão, seu custo e se uma nova emissão será necessária até a assinatura.
  • Corretagem e serviços: confira quem paga, o valor, o serviço contratado e se ele já está incluído no preço apresentado.
  • Entrada e parcelas durante a obra: separe recursos próprios, financiamento e valores com vencimento antes da entrega. Confira os critérios contratuais de atualização.
  • Mudança: orce transporte, pequenas adaptações, ligações e móveis essenciais. Não use toda a reserva na entrada.

Uma forma prática de montar o orçamento

Use uma linha para cada despesa e registre: valor confirmado, quem informou, data do orçamento, vencimento e forma de pagamento. Marque como “a confirmar” o que ainda depende de aprovação ou análise. Não transforme uma estimativa em saldo disponível.

  1. Some os recursos próprios necessários antes da assinatura.
  2. Separe o que vence no registro, na entrega das chaves e na mudança.
  3. Confira se alguma despesa será financiada e se isso altera as parcelas.
  4. Reserve margem para itens ainda não orçados, conforme sua realidade.
  5. Compare o custo mensal futuro, incluindo condomínio, IPTU e deslocamento.

Exemplo de organização: se o banco mencionar uma cobrança já incluída no total financiado, não a some novamente como pagamento à vista. Guarde a proposta que demonstra essa condição e peça esclarecimento quando a descrição não for clara.

Para o orçamento recorrente, use o planejador de custo da moradia. Antes de escolher a unidade, leve o checklist de visita.

Perguntas frequentes

Ser o primeiro imóvel elimina todas as taxas?

Não. Benefícios dependem de requisitos próprios e podem atingir apenas determinados tributos ou atos. Confirme cada item, em vez de assumir uma isenção geral.

Posso usar a mesma conta em outra cidade?

Não para o ITBI: a regra é municipal. Os custos dos cartórios também devem ser conferidos na tabela aplicável e no ato efetivamente solicitado.

O anúncio informa o custo completo?

Nem sempre. Peça uma relação escrita do preço, despesas incluídas e cobranças separadas antes de comparar propostas.

Fontes para conferir antes de contratar

Conteúdo informativo, sem cálculo oficial de tributos ou garantia de crédito. Para dúvidas sobre seu contrato, benefício ou cobrança, consulte a instituição responsável e orientação profissional.